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terça-feira, 28 de julho de 2015

dizer a verdade


A verdade tem sido traspassada. É vista como apenas mais uma coisa a dizer ou ser, mais uma opção e não como a única possível. Prefere-se a mentira quando se pensa magoar outros ou quando esta traz responsabilidade, consequências, desconforto. Rodeia-se a verdade, esconde-se metade dela e segue-se adiante com consciências torpecidas, que se julgam a salvo. Podemos dar muitas voltas, mas fugir à verdade é não fugir ao pecado. É afastar-se portanto da verdade de Deus. É suposto a verdade triunfar. É suposto ser sempre dita. Não como quem reclama qualquer triunfo de razão nessa verdade, mas simplesmente porque é a verdade e quando esta não é afirmada, tudo cai e nada faz sentido. Não é o nosso Deus um Deus de verdade? Melhor, não é Ele a própria Verdade? Tenho notado que até a evitamos com os nossos amigos, com aqueles que amamos. Ser verdadeiro com o outro não será mais uma prova de amor? Um indicador que queremos guiá-lo no caminho certo, que glorifica a Deus? Não é nesse caminho que devemos encorajar os nossos amigos e irmãos a andar? A melhor coisa não é glorificar a Deus e andar nEle e com Ele? E o contrário, não é o pior que nos pode acontecer? Obedecer deixou de ser uma coisa boa?
Que Deus nos ajude a ser sinceros perante o pecado do nosso irmão, amando, sempre. Mostrando o pecado e levando pela mão. Quando é que o pecado deixou de o ser? Quando deixou de ser grave aos nossos olhos? Não foi devido ao pecado que Jesus foi à cruz? É coisa séria.

quarta-feira, 15 de julho de 2015

filho único


Ter só um filho em casa, é sinónimo de menos barulho. Há duas camas que não são desfeitas, mas de vez em quando há uma mãe sentada nelas a organizar os desenhos de dois meninos que estão num acampamento. O mais velho gosta de ser filho único por uma semana, mas volta e meia vai ao encontro dos primos. Pelo caminho, apanhámos as primeiras amoras.
 

quinta-feira, 2 de julho de 2015

caminhando na Graça


As ruas com o rio no horizonte, os parques com sombras grandes e fontes no meio, os pombos que sobrevoam as nossas cabeças, a poesia escrita, os azulejos antigos, os sinos que tocam. Sabe bem passear na Graça.






 

segunda-feira, 29 de junho de 2015

dos encontros bonitos.


No meio do bairro, ei-las! Restos de campo na cidade. A vizinhança da zona a juntou-se em redor delas. Teremos todos um pouco de Heidi dentro de nós?





sexta-feira, 5 de junho de 2015

mais além.



A amigdalite passou cá por casa. Duas vezes. Ainda não descartei a hipótese de a ver uma terceira vez. Visitou o Samuel e o Marcos. No primeiro instalou-se à grande e levou o gaiato a temperaturas elevadas. O Marcos teve uma visita mais modesta, mas levou a primeira injeção de penicilina, coisa que não deverá esquecer tão rápido.
Ter os filhos doentes obriga-me a abrandar, especialmente se o marido estiver fora, em trabalho, como foi o caso. Há mais para fazer, por um lado, mais cansaço também, mas existe um sentido de urgência diferente. Acho mesmo que Deus usará estes momentos para isso mesmo. Há as noites mal dormidas ou até em branco, mas há um abrandamento forçado. Às vezes sento-me só para olhar para eles. Para contar uma história ou manter-lhes uma toalha molhada na testa. Nos últimos dias visualizámos filmagens antigas, daquelas guardadas em cassetes. Revimos o brilho doce e espanto nos olhinhos do Sammy e Jojó ao verem o mano Marcos pela primeira vez na maternidade. Impagável! Recordámos momentos vários com amigos, músicas, acampamentos, festas, surpresas, sobrinhos pequenos, fofos, fofos. Tantos momentos de profunda alegria! E pensar que tudo isto é só um fraco aperitivo do que nos espera no céu! Só é possível apreender tal possibilidade porque sabemos que então teremos um corpo livre de pecado. Melhor do que Deus já deu? Sim, infinitamente melhor! Deus tem feito tanto em nós, nos outros e à nossa volta, ao longo dos anos! Os Seus caminhos são sempre sábios, ainda que misteriosos e insondáveis.

 
O tempo avança veloz e não há como faze-lo parar. Há coisas que não voltam, que tiveram o seu tempo próprio. Há amigos que já não estão connosco. Nada do que julgámos um dia ser firme o é na realidade. Firmeza é achada Num só. E vez após vez Deus me ensina, com aquela paciência que só Ele possuiu, a confiar e depender dEle. Apenas dEle. É uma luta constante. Os cenários, circunstâncias e pessoas mudam, ora de forma mais lenta, ora mais repentinamente. Só Cristo permanece. Só Cristo não vai embora. Esta é uma lição que continuo a precisar que Ele me lembre, incessantemente. A alegria está nEle. A constância para cada dia também.  E é na medida em que outros e eu falho e o chão me falta que melhor aprendo esta verdade. Que mais me achego a Ele como fonte única de satisfação e segurança. Deus abana o meu mundo certo para que eu me firme mais nEle. E a paz vem. Com ela chega também a visão do tanto que Deus tem dado e de tantos que tem trazido até nós nos últimos anos e da bênção que tal tem sido. A novidade pode ser uma coisa boa. E depois penso e constato que para além de paciente, Deus é misericordioso, pois ainda assim, conto amigos que estão lá desde sempre e continuam por perto. Deus mostra-nos sempre mais do que a dor que sentimos.
 
 

quinta-feira, 4 de junho de 2015

raízes, o vento leva.

 

O mais velho é o primeiro a sair de casa com o pai, de carro. Um pouco depois, saio eu com os dois mais novos, a pé.
Fazemos o caminho habitual até à escola, normalmente a cantar. Vemos as galinhas, os patos e o peru. De vez em quando um cavalo e ovelhas. Estou a descartar as formigas, os caracóis, as borboletas e afins. Perto da escola paramos para ouvir e descobrir os sapos. Dizemos bom dia a uns quantos vizinhos e colegas pelo caminho. As tias, passam às vezes por nós e apitam. Acenamos ao motorista do autocarro que todos os dias faz questão de nos cumprimentar, com um sorriso bem disposto. Esta coisa boa de aprofundar raízes no local onde vivemos, mesmo que aqui não pertençamos, é bonita de viver, de sentir.
 


Recordo um professor de Geografia no secundário que falava na importância das pessoas se identificarem com o local onde moram. Com o senhor do pão, com a árvore da esquina, com o banco da rua, com os vizinhos, com a mercearia do bairro e por aí fora. Aquelas pequenas coisas que nos fazem sentir à vontade ou trazem consigo aquele sentimento de sermos acarinhados pelo ambiente que nos rodeia. Diria o povo, de nos sentirmos em casa. Vivi até aos 18 anos com este sentimento bem vincado em mim. Vivia num bairro que amava, onde conhecia as pessoas e cada canto e recanto. Cada rua uma lembrança, cada loja uma cara simpática, cada vizinho um amigo. Vi crescer as árvores. Aliás, plantei com o meu pai e vizinhos algumas delas. Conhecia de cor o cheiro e cenário da minha praceta num dia de sol e num dia de chuva. Se fechar os olhos ainda a vejo em cada estação, ao pormenor. Saí de lá para uma cidade estranha e custou-me muito.
Anos depois, após passar por 3 moradas, sinto-me quase em casa outra vez. Ter família perto ajudou bastante. No início, tudo era novo e não havia lembranças em lado nenhum. Foram construídas durante os últimos nove anos. Aprendi a começar. A ter esperança. A depender menos dos cenários e das pessoas e mais de Cristo, que permanece. Agora, as árvores e recantos já são familiares e as caras que vemos fazem sorrir o coração. Mas sei hoje que tal é de longe o menos importante. Porque a minha morada real não é aqui. Não pertenço a este mundo e nele jamais encontrarei pleno sentido de pertença. Anseio pelo regresso. O regresso ao lar.


quinta-feira, 21 de maio de 2015

mudanças.

Passo por estas árvores todos os dias. O cenário é diferente, conforme a estação do ano. Vejo-as perder as folhas ou encherem-se delas, sempre devagar. Também nas mudanças que chegam vagarosamente à nossa vida vejo a mão de Deus e apercebo-me da Sua paciência connosco. Há mudanças boas, repletas de riso. Há outras dolorosas, cobertas de lágrimas e dor. Em todas elas, Deus permanece bom.

 





Toda a boa dádiva e todo o dom perfeito é lá do alto, descendo do Pai das luzes, em quem não há mudança nem sombra de variação.
Tiago 1.17

sexta-feira, 15 de maio de 2015

quinta-feira, 30 de abril de 2015

pelo caminho...

Andar a pé permite-me olhar melhor à minha volta, com mais atenção. Sinto os cheiros, o frio, o calor, o pulsar do dia. Pelo caminho os encontros são vários, mas há dois que aprecio especialmente. Este cavalo, perto da escola dos meninos e o rebanho habitual, mesmo ao virar a esquina da rua da nossa casa. Sabe bem andar a pé!





quinta-feira, 16 de abril de 2015

quando se anda a pé...

Não conduzo. Ainda. Tenham lá mais um bocadinho de paciência. "Mais paciência?!", pensam aqueles que me conhecem há mais tempo. Sim, paciência. O povo não diz que a paciência é uma virtude? Vá, sejam persistentes. Um dia destes apareço em vossa casa ao volante de um carro. Em andamento e tudo! E aí, terão uma história para contar. "Esta moça esteve desde os x anos para tirar a carta. Um dia, quando eu já tinha perdido a esperança de tal coisa com os meus olhos ver, chegou à minha porta e estacionou sem bater..." Qualquer coisa assim do género. Aguardem. Isto um dia ainda vai ser uma história real.
 

 
Vinha eu das compras, daquele estabelecimento que tem mini no nome, a pé, claro está, quando uma inspiração louca começa a fervilhar-me na cabeça. Volta e meia a coisa sucede. Vou andando e escrevendo mentalmente. Às vezes até corre bem. Chego a casa, sento-me e escrevo aquilo em que pensei. Também já me aconteceu sentar-me num passeio de uma rua de Lisboa para o fazer ou o momento ia simplesmente embora. Daquelas alturas em que as palavras saltam do pensamento mais rápido do que conseguimos apanhá-las.  E por ali fiquei um bocado a tentar organizá-las no papel de modo a conseguir um discurso minimamente percetível. Há ainda as ocasiões em que chego a casa e não tenho oportunidade de escrever nem paro na rua para o fazer... e o momento passa. Há sempre alguma tristeza quando penso em deixar passar um momento em que algo pedia para ser escrito. Como se algo fizesse mais sentido ou ganhasse vida para além de nós após o fazermos. Por outro lado, ler algo que alguém escreve é como penetrar um pouco nas suas lembranças, vivencias, pensamento, coração. Não é apaixonante? "Vai mas é tirar a carta e deixa-te de divagações!", dirão alguns de vocês. Paciência.
Regressava eu com os ovos, manteiga, Nestum, bolos [o meu pai que não leia isto. avisou-me várias para não comprar doces e eu a modos que prometi não o fazer. mas era uma promoção de uns bolos americanos recheados com chocolate e não resisti. já disse que estavam em promoção, não disse?] e alguns malmequeres amarelos que apanhei pelo caminho. Pensava na quantidade de km que devo fazer diariamente, com esta coisa de levar e buscar os meninos à escola, levar e buscar aos treinos, etc. Lembrava que no início do 2º período escolar, após as férias da Páscoa, os músculos das pernas doeram-me e demorei até perceber que tinha sido por ter andado menos nas férias. Desabituei-me do ir e vir, várias vezes ao dia. Quando estava em Desporto, no secundário, acontecia o mesmo após as férias de Natal e da Páscoa. Apesar de continuar a correr nas férias e a jogar à bola, as primeiras aulas de Desporto depois das férias faziam sempre mossa. Tínhamos um professor que não brincava, era a doer, fizesse chuva ou sol. No início do ano letivo fazia um determinado número de flexões, no final dele fazia o triplo. Isto deixava-me feliz. Depois havia os colegas que faziam o triplo das minhas no início do ano e acabavam com um número estonteante no final do ano. E eu lá me resignava e reconhecia que a minha força de braços deixava muito a desejar. Batia-os noutras coisas, como na resistência e na velocidade. Era craque a passar a barreiras. Ainda hoje vou a correr despejar o lixo, quando ninguém me vê. "Onde é que esta conversa toda vai parar?", pensará o querido e paciente leitor. Ora bem, cá vai.
Pensava eu, de sacola e malmequeres na mão, que a vida cristã é um treino e em como tanto custa quando paramos para descansar. Voltar é sempre mais doloroso. Exige um esforço acrescido. Um retomar. Traz desconforto. É imperativo combater a preguiça. O compromisso traz saúde. A falta dele, de forma prolongada, mata. Um pouco como o deixar de exercitar os músculos. Quando retornamos a faze-lo dói. Mas é uma dor necessária, que dá saúde. Mais do que isso, dá vida! Correr para a meta com persistência, sem esmorecer, sem pausas ou intervalos. Deus não tira sonecas. Imaginem um segundo sequer sem a Sua graça ou cuidado sobre nós. Voltemos a mexer, a correr para Ele! A maratona espera-nos e chegar à meta será incrivelmente maravilhoso.
No meio disto tudo uma amiga querida passa na estrada e dá-me boleia. Vá, a sacola pesava um bocadinho.
 

domingo, 12 de abril de 2015

há muitas razões para pararmos no caminho para a escola.

Pelo caminho há as galinhas, as ovelhas, os cavalos, os patos, um peru e depois os que exigem um pouco mais de tempo da nossa parte. 
 

sexta-feira, 10 de abril de 2015

sexta-feira, 20 de março de 2015

gosto de...

ir buscar o mais velho à escola com uma amiga e termos a serra envolta em nuvens à nossa frente.
 

sábado, 27 de setembro de 2014

conversar com o Criador


Orar de joelhos e olhos fechados, dentro de portas ou de olhos abertos, caminhando por ruas desertas. Ele está à distância de uma oração, sempre.


terça-feira, 20 de maio de 2014

Salmo 37:23

Os passos do homem bom são confirmados pelo Senhor, e ele se deleita no seu caminho.

[foto tirada em Serralves]

terça-feira, 4 de março de 2014

selvagem

Gosto quando encontro uma árvore que cresce sem a mão do homem por perto, sempre a tentar endireita-la. Sei que às vezes tal simplesmente não é possível, talvez por isso fique feliz quando encontro uma raridade destas no meio urbano. Agrada-me quando tomam conta do caminho e me obrigam a passar por baixo delas. Ah... se me vissem num altura destas, veriam com certeza os meus olhos a brilhar... e a passar por ali uma e outra vez.

sábado, 1 de março de 2014

Ir a pé às compras e...

encontrar uma ameixeira em flor.
O caminho faz-se muito melhor de olhos abertos. E eu, gosto cada vez mais de andar a pé.