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segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015
quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015
aliviando a carga
Conheço bem estes corredores do hospital D. Estefânia. Mas há pais que o conhecem melhor do que eu, que vivem aqui muito tempo, dias e longas noites. O que mais me atrai neste corredor é a forma como a luz do sol o inunda. Esperança espelhada. É sempre com esperança e alegria que encontro a família da Taissa, especialmente o seu pai, Paulo. Os olhos deles fitam um Deus maior que a nossa própria fé, o Dador dela.
Ao seu lado, no quarto, encontra-se a Any, uma menina de São Tomé, também com T18, mas parcial. Fez esta semana um ano, idade que a Taissa completou no mês passado. Um ano de lutas, de lágrimas, de vitórias, de sorrisos doces, de abraços, de orações levadas ao trono da graça, de escola, de fé. Sem esmorecerem, estes pais continuam, confiando que Deus tem poder para curar as suas meninas, se for essa a Sua vontade. E sabendo que, Ele é sempre bom e o Seu caminho perfeito.
Os pequenos milagres continuam a acontecer. A Taissa luta contra a sua 11ª pneumonia. Uma guerreira, esta formiguinha. Ontem de manhã as notícias foram animadoras, com a possibilidade de ser retirada a sonda de alimentação e começar a alimentar-se pela boca, fazendo terapia da fala. Deus surpreende a todo o instante!
Cantámos os parabéns à pequena Any. Pode custar mais ou menos levar um pouco de alegria e aliviar o fardo de alguém. E sim, também nós aprendemos muito nesse processo. Mas não o fazemos para nos sentirmos bem ou realizados, fazemos para o outro, tendo em vista o bem, a alegria do outro. Nós não somos o importante aqui. Também há uns que pensam que não são capaz, que não têm coragem de ver o sofrimento de perto. Mas lá está, mais uma vez é o "eu" que vem ao de cima, enquanto o foco devia estar no outro e em Cristo. Como nos sentimos pouco interessa aqui. Fazemos porque queremos imitar Jesus e ser cheiro suave, porque sofremos juntamente com eles, mesmo que isso implique sacrifício da nossa parte. "Chorar com os que choram e alegrar com os que se alegram", lemos nas Escrituras. Trabalhar para ver sorrisos plantados nas faces dos que sofrem, para fortalecer a fé e esperança que o próprio Deus semeia. Que a tal Deus nos ajude, mantendo-nos atentos e disponíveis, menos egoístas e menos centrados em nós. Somos muitas vezes ingratos, mesmo quando pensamos que somos gratos. Nem que seja por não agradecermos a Deus do tanto que Ele nos livra ou poupa. Precisamos ver para agradecer. Esquecemos de agradecer o que não vemos, porque não temos, pela misericórdia dEle.
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sexta-feira, 16 de janeiro de 2015
a formiguinha guerreira
A vontade de segurar a pequena Taissa há muito que era gigante. O dia chegou. A hora e meia em que estive com ela voou. Os seus olhos azuis fisgaram-me.
Os outros problemas ficaram mais pequenos perante a sua luta e os olhos da fé foram alargados com o testemunho do pai Paulo.
A Taissa é uma menina doce que nasceu com trissomia 18 total, uma desordem genética do cromossoma 18 que é mortal. A maioria dos bebés morre antes de nascer e quando nascem não sobrevivem ao primeiro ano de vida. Ora bem, a nossa formiguinha celebrou um ano na semana passada. É uma guerreira! Contra todas as possibilidades médicas, nestes casos, já combateu 10 pneumonias!
Conhecer a menina pela qual orava há tantos meses foi emocionante e foram várias as vezes em que precisei conter-me para não desabar.
Conhecer a história dos seus pais, da sua família foi inspirador. Palpar a fé deles foi comovente e fez-me sentir pequena. Saber das vidas que, desde o hospital onde ela está internada a um ponto longínquo do globo têm sido tocadas através do testemunho deles foi uma alegria. Ah... os misteriosos propósitos de Deus! Cada detalhe tão bem entrelaçado! Lembrar que a oração une os filhos de Deus diante do trono dAquele para quem o futuro é igual ao passado, pois foi já Ele que o escreveu.
Não sei quantos serão os dias da Taissa aqui, se menos ou mais do que os meus, sei porém que, o Deus que a criou e dela amorosamente tem cuidado, tem o melhor preparado para cada um daqueles que Lhe pertence. Nos Teus braços, Pai!
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