quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

tempo...

Sei-o agora. Tinha medo de tantas coisas! De crescer. De perder aquele sentimento reconfortante de estar rodeada de certas pessoas.  De deixar de me sentir segura. De não pertencer ou sentir-me em casa. Das mudanças que trazem separação. Que os meus sonhos estivessem sempre fora de alcance.
O tempo ilude-nos. Salta-nos da mão, por mais que tentemos segurá-lo. Num dia sonhamos, no outro dia o sonho torna-se realidade. Numa manhã acordamos com borbulhas numa face adolescente. À noite, adormecemos vislumbrando as primeiras rugas. Marcas silenciosas das estações da nossa vida.
Agora que a menina assustada não me acompanha sempre, tenho saudades dela. Tenho coisas a dizer-lhe. Dir-lhe-ía que tinha alguma razão. As coisas mudam realmente. As separações acontecem e o mundo torna-se um lugar desconfortável de vez em quando. Mas não faz mal, é mesmo assim. O crescimento traz mudança. É um facto. Descontrai. Confia. É a mais profunda maneira de descobrirmos a fidelidade dAquele que jamais mudará e que sempre permanece.
Conhecer pessoas que gostam de nós, que nos conhecem, compreendem, que nos aceitam como somos, será algo cada vez mais raro. Alguns amigos moldaram a pessoa que sou hoje e estarão sempre comigo. A história continua a ser escrita e o meu amor por eles só aumenta. Poderia dizer que foram os melhores anos. Direi apenas que foram únicos. Inesquecíveis! Recordo tudo com um carinho imenso. A intensidade de cada dia, a força e facilidade com que sonhávamos... a alegria contagiante.
Estivémos presentes numa época da vida que nos definiu. Que sempre desenhará em mim um sorriso.
E a melodia volta a soar...

9 comentários:

Joa disse...

Gosto muito! Obrigada pela partilha! É bom ler textos assim, simples e profundos, cheios de sentimentos e recordações!! Bjka

Unknown disse...

Ontem meu filho veio com a conversa de que o inverno com neve é o tempo já velhinho.

Rute Carla disse...

beijo para ti, Joaninha.

Renata, muito bom. Sábio menino:)

bitas disse...

gostei :)

Anónimo disse...

Deixaste-me com um "nó na garganta"!! <3

Anónimo disse...

E esqueci-me de assinar... eu... Nessa

Anónimo disse...

não estive presente nesses anos únicos, mas consigo perceber as emoções e os sentires. :)
há tanta coisa que perdemos (pelo menos em parte) quando crescemos. a intensidade, yes. tudo era possível.
temos que aprender a continuar a construir memórias que daqui a uns anos nos continuem a fazer sentir saudades. saudades boas.

hug
s

Rute Carla disse...

Bitas, :)

Nessa, those were the days... abraço grande.

S., já estamos a construir e temos já uma mão cheia delas para recordar. let's keep going...
*

alexa violeta disse...

Este texto é muito bonito e tocou-me muito... Sinto precisamente o mesmo, até com pessoas que já não fazem parte da minha vida... as que foram importantes permanecerão sempre! um beijinho