As tarefas dos miúdos em tempo de férias passa por fazerem a cama deles, despejarem o lixo, darem comida ao Flippy, colocarem e levantarem a mesa às refeições, regarem o jardim. E depois há a preferida: lavarem a loiça.
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segunda-feira, 7 de setembro de 2015
domingo, 6 de setembro de 2015
quando o que lembramos já não é visível.
A casa da avó Amélia e do avô Filipe tinha sempre muitas flores coloridas à porta. As laranjeiras, pessegueiros e figueiras estavam sempre carregadas de fruto. Apanhar figos e uvas e comer com pão, ali, na hora. Era delicioso. A horta estava sempre um mimo, arranjada. Se queria descobrir o meu avô, era descer as escadas e entrar por ela adentro. A água do poço saciava a sede no verão. No tanque da tia tomava-se banho com os primos e no inverno cheirava sempre a lume. Na gaveta da mesa da cozinha havia sempre broa de milho. Chouriço, queijo de cabra e azeitonas nunca faltavam. O feijão com couve tinha um sabor especial, cozinhado no barro. Atrás da casa, tinha grandes conversas com os porcos, coelhos e galinhas. Foi-me impossível comer um coelho numa certa refeição, quando descobri que era um dos meus companheiros de conversa. Não foi bonito.
Em certos natais, a casa enchia-se das vozes dos filhos e netos. Esconder atrás do monte e atirar pedrinhas às motorizadas que passavam ao final da tarde, com os primos. A maioria nem notava que o fazíamos, para nós, miúdos, era um risco aliciante. Jogar às escondidas ao anoitecer, sentar no chão de cimento ou num banco de palha e ficar à conversa até às tantas a olhar as estrelas. Inventar histórias misteriosas e viver aventuras entre os pinheiros e as casas dos vizinhos.
Este verão, voltar foi diferente.
Silêncio. Mato. Ervas. Um poço sujo e quase seco. Abandono.
O trabalho desta vida de nada vale, no final das contas.
Mas se fechar os olhos, ainda sinto o coço nas mãos e a frescura da água a escorrer-me pela garganta num quente dia de verão. Ainda vejo o balde cheio de figos apanhados ao fim da tarde. O meu avô a tratar das couves com as suas mãos ásperas e fortes, o seu olhar doce. O avental da minha avó, o lenço preto e o chapéu de palha na cabeça. O lume aceso... que se apaga devagar.
quinta-feira, 3 de setembro de 2015
doce alentejo
O entardecer no alentejo é muito peculiar. É tranquilo. A luz parece mais intensa quando acaricia as planícies ao fim do dia. O calor torna-se mais suave de suportar e abraça-se a noite com alegria.
Apanhamos amoras até o sol se pôr e um coelho andou a espreitar-nos.
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moinhos.
Os moinhos em Ponte de Sôr eram um ponto de paragem no Inverno e na Primavera, em férias e em alguns retiros do ABS. A água corre em abundância nessas alturas. No Verão, o silêncio é maior.
É sempre interessante voltarmos aos mesmos locais anos depois, em circunstâncias diferentes.
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quinta-feira, 20 de agosto de 2015
descansar ao fim da tarde
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on the road
Os momentos na estrada em família variam entre o sossego e a loucura.
É mais ou menos isto.
kids singing on the road from rute carla on Vimeo.
quarta-feira, 19 de agosto de 2015
confissão
Não é bom quando chegamos aquela fase da maternidade em que já conseguimos ler uma página inteira de um livro sem tirarmos os olhos dele? Desfrutei cada pedacinho da brisa na cara, das palavras escritas que me fizeram vaguear por outros continentes. De vez em quando era trazida de volta pelas gargalhadas dos meus quatro, num vaivém saboroso.
Andámos por aqui.
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