Há tardes que podiam se prolongar. Horas em que a voz de um menino de caracóis soa límpida ao pé do rio, sem receio. Em que o horizonte brinda-nos com um arco-íris que beija as nuvens e a água e onde o entardecer é embalado por gaivotas preguiçosas. Sim, há momentos em que o tempo podia abrandar.
sábado, 8 de novembro de 2014
sala de espera
Estudar o sistema respiratório e circulatório e conhecer o segredo de um certo rio. As esperas com ele são sempre pacatas.
há dias assim.
Em que cada um faz uma coisa diferente, mas, ainda assim, buscam a companhia uns dos outros. E a mesa da cozinha continua a ser palco de tanto...
quinta-feira, 6 de novembro de 2014
o primogénito
Está a crescer a olhos vistos. Este ano letivo traz consigo novos desafios, mais estudo, mais empenho. Amizades são firmadas, gostos aprofundados, descobertas sobre tanto são feitas. E dou comigo a pensar que já passou uma década e que não tarda faz os onze e que a partir daí os anos correrão ainda mais depressa [vá-se lá perceber porquê]. E há ainda tanto para ensinar, para lhe mostrar! Vejo o carácter dele a ser formado, nas pequenas e grandes coisas do dia a dia e oro, pedindo acima de tudo, que cresça vendo mais da glória do nosso Deus, querendo conhece-lo e amá-lo melhor. E que para tal Deus me ajude.
terapia da fala
Vamos lá então aprender a dizer os sons todos direitinhos e muito bem. Aguardamos. Mas mantemos na memória este jeitinho especial de falar, só dele.
doce abóbora
Adaptei uma receita do Chakall e fiz uma sopa de abóbora. Aproveitei as sementes e salteei-as num pouco de azeite e manteiga, coentros e cominhos em pó. Acreditem, vale mesmo a pena o petisco.
Aqui fica a receita da sopa de sabor intenso.
Cortar a abóbora aos pedaços e colocar numa panela com azeite e manteiga. Deixar refogar um pouco. Juntar uma cebola cortada, alguns dentes de alho, bastante salsa picada e cominhos em pó. Continuar a refogar alguns minutos. Adicionar água fria, temperar com sal e deixar cozer. Passar com a varinha mágica e juntar um pouco de leite. Deixar ferver. Servir quente com um pouco de queijo camembert... ou não. Deliciosa de qualquer das formas.
Pode ainda juntar uns breadsticks com queijo flamengo e está feito o jantar!
terça-feira, 4 de novembro de 2014
febre de livros
Lembro-me de na minha infância, quando estava em casa doente, levar um molhe grande de livros para cima da minha cama. Aconchegar-me entre almofadas e embrulhar-me noutros mundos durante tempos a fio. Ali ficava.
O Marcos, quando está de molho, gosta de algo semelhante. Escolhe alguns livros e pede para eu lhe ler na nossa cama. No fim de semana passado foi assim e o Jojó leu para nós.
Continuo a achar que a coisa boa de ter um filho doente é a forma mais pacata com que o tempo parece passar. Dá-se prioridades às coisas certas. E definitivamente, nestas alturas, fazer a cama não é uma delas.
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segunda-feira, 3 de novembro de 2014
flores em tempos de chuva
"Vamos ver as flores?", perguntou-me com um sorriso largo e olhos curiosos.
E no meio de tanto, só pude responder "Vamos!" Larguei as arrumações e abrimos a porta.
Fazer tempo. Às vezes é mesmo o melhor.
sábado, 1 de novembro de 2014
há 12 anos atrás...
Há manhãs em que os bolos são reconfortantes. Como esta, após uma noite com o filho mais novo febril. O cheiro do queque de banana e a sua textura levou-me de volta ao ano 2002, no Canadá. Estive lá um mês numa missão evangelística desportiva [Global Sports Mission]. Na quarta semana, aquela em que, como disse uma vez um colega da equipa, se um mosquito nos tocasse caíamos, acordávamos todas as manhãs com o mesmo cheiro. Em casa dos Browns, onde eu e um casal amigo ficámos, a mãe fazia sempre pela manhã muffins de banana e chocolate. Garanto-vos que precisávamos de todas as energias extras naquela altura. Mas os muffins não eram só doces ao paladar e uma injeção de energia logo cedo, mas também um recordar do lar, do qual já tínhamos saudades. Era quase impossível comer apenas um, mas comer muitos de uma só vez não caía nada bem, concluímos. Competia então ao amigo Tiago pedir mais uns quantos para levarmos para as clínicas de futebol, nas mochilas. Afinal de contas, os dias eram longos.
Há cheiros e sabores que nos levam para longe.
sexta-feira, 31 de outubro de 2014
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