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sexta-feira, 17 de outubro de 2014

memórias com cheiro a canela.

É rara a tarde em que algum amigo dos miúdos não está cá por casa. De vez em quando, aparece uma tarde mais tranquila. Como esta, em que o Sammy andou a vasculhar a sua caixa de recordações, enquanto um bolo simples crescia no forno.
 



quarta-feira, 20 de agosto de 2014

"click" na mente.


Os moinhos, ainda que estes modernos, recordam-me sempre os desenhos animados do D. Quixote que via em miúda.

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

avivando...

A terra dos meus pais, avós e bisavós traz inúmeras memórias agarradas a ela. Uma a uma acendem na minha mente. Bailam por entre o pó, o cheiro dos figos e do pinheiro bravo. Trazem consigo cenários antigos, antes do grande incêndio que aconteceu no Verão de 2000 ou 2001.
As figueiras continuam lá. Ano após ano. Firmes. A destilar doçura. Muitas foram as barrigadas de figos que apanhei em gaiata com o meu pai, debaixo da árvores. Um figo numa mão e um pedaço de pão na outra. Assim mandava a tradição.








Passámos um tempo agradável com o meu tio João, a tia Emília e os primos João, Sílvia e a Francisca, que estavam lá a passar uns dias de férias.



Lembro-me das videiras em frente da casa outrora branca. Vejo a minha avó Guida com um chapéu de palha grande a caiá-la. A avó Sofia a varrer, o avô Henrique sentado num banco de palha. O tio António a tratar da burra e a trabalhar na clareira que já não existe. A tia Júlia debaixo do telheiro a arranjar feijão verde.
Quando de férias com a minha avó, íamos buscar água fresca ao poço, atravessávamos a horta para ir lavar roupa no tanque, faziamos carapaus e sardinhas para o almoço e íamos à loja a pé, cantando, conversando, rindo. Sim, porque as conversas com a minha avó sempre acabavam com uma de nós a rir. As tardes pediam sesta, quando o calor alentejano lá fora apertava. Os banhos eram tomados num alguidar que na altura parecia-me gigante. Afinal era só grande. Ouvia o sino no ABS tocar, sem o avistar. Os pinheiros altos encarregavam-se de o proteger. Agora a vista alcança longe. Os pinheiros, uns estão a crescer, outros foram-se de vez. À noite olhávamos as estrelas e escutávamos os grilos. As corridas até ao acampamento aconteciam várias vezes ao dia.
As histórias de outros tempos, quando a minha avó era jovem, sucediam-se. Gostava de ouvi-las. Agora sei que gostava sobretudo de ouvi-la. Voz doce, olhar por vezes distante, mas sempre meigo. Ainda consigo sentir a ternura do seu abraço aconchegante. Sinto imensamente a sua falta


O meu primo levou-nos horta dentro para apanharmos louro. Não fazia ideia do tamanho da árvore. Na verdade, pensava que o louro vinha de um arbusto. Ignorâncias de menina da cidade. Trouxémos alguns ramos. Batata assada com louro será a ementa de alguma refeição durante esta semana.


Respirar aqueles ares traz-me sempre de volta a casa satisfeita.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Sentimentos que perduram

A minha mãe ligou-me na sexta-feira à tarde, chamando a minha atenção para o canal da tvi, onde estavam a falar sobre o bairro onde eu nasci e cresci, em Lisboa. Reconheci o senhor que falava no programa apresentado pela Júlia Pinheiro, com visível orgulho de morar no bairro há já 28 anos. Era um amigo do meu pai, que arranjava o jardim perto da igreja e ajudou a semear o jardim da nossa praceta logo no início (fazer canteiros, plantar, etc). Não pude deixar de sentir o seu entusiasmo e emoção ao falar do bairro e de me rever em tanto do que por ele foi dito. Senti-me como se nunca tivesse saído de lá, como se continuasse a lá viver e descobri o que acho já há muito saber: nunca vou amar e me identificar tanto com um local onde viva e ter aquele sentimento de pertencer e conhecer um lugar como o que tive durante os 18 anos que lá vivi. Recordei o que um professor meu de Geografia disse, tinha eu 14 anos: a importância de sentir que pertencemos ao local onde vivemos, em olharmos em redor e nos sentirmos familiarizados com o que vemos, em conhecermos o senhor do pão, o vizinho e uma série de outros detalhes que nos fazem sentir em casa, em segurança e acompanhados tem uma importância extrema. eu acrescento que ter e sentir isso, nem que seja apenas uma vez, é um tremendo privilégio.
No sábado à tarde, peguei na minha máquina e fui tirando fotografias aqui e ali até casa do meu mano. É uma das maneiras que tenho para me concentrar no momento e no que está à minha volta, refrescando os meus pensamentos. Olhar à minha volta com olhos e ouvidos atentos, descobrindo detalhes, cores...



Ao chegar a casa do meu mano deparei-me com uma série de LPs (aquela coisa gigante, em vias de extinção que necessita de um gira- discos) espalhados pela sala e reconheci a cara da maioria deles. Oh... por momentos senti-me pequenina outra vez e tive vontade de ouvi-los todos. Músicas que sei de cor até hoje e que marcaram a minha infância e adolescência. (Mano: obrigada por toda a música que trouxeste desde cedo até mim). E regressei a casa cantarolando músicas que não oiço há quase 20 anos.