Vi finalmente o filme que aguardava com alguma curiosidade há já algum tempo. Não fiquei desiludida. Já tinha ouvido algumas críticas negativas a respeito dele, não ía com grandes expectativas. Ía apenas curiosa. Achei que alguns diálogos podiam ir mais fundo, serem mais rebuscados. Por vezes, achei que a simplicidade de alguns deles caiu no desinteressante. Para mim, que amo conhecer outros locais, pessoas e culturas, valeu pelas cenários dos três locais ao qual o filme nos leva. A paisagem histórica e antiga de Itália, juntamente com as iguarias gastronómicas de deixar quem está do outro lado da tela desejoso de enfiar um garfo numa esparguete à carbonara; as cores e ritmo da Índia e o verde da paisagem de Bali, capaz de fazer o humano menos impressionável suster a respiração por alguns segundos.
Um filme triste e complexo na sua natureza, já que aborda o vazio que a dada altura todo o ser humano sente. Uma busca pela satisfação interna plena em coisas e prazeres passageiros, mutáveis. A personagem principal, interpretada por Julia Roberts, deixa a sua rotina e parte numa viagem de um ano, buscando algo que tape esse vazio existêncial, algo que dê sentido ao seu dia a dia e a faça vibrar com a vida. Parte na tentaiva de se achar. Gostei de uma expressão que usou um dia de manhã. "Acordei sem pulsação." E quantas vezes nos falta a paixão e entusiasmo de viver!
O filme está repleto de frases que gostaria de guardar ou comentar, infelizmente não me recordo da maioria delas e quando me lembrei de começar a escreve-las no escuro, a maioria delas já tinha voado. Algumas delas tocaram mais fundo.
"A ruína é uma dádiva. A ruína é uma estrada para a transformação."
"A única maneira de sarar é confiar."
"Não posso deixar de acreditar devido à minha experiência."
Comovi-me com a oração da personagem que em desespero busca a Deus. Porém, perde-se na sua própria vontade, no seu eu e ideologias várias. Tão mais fácil criar um deus à nossa imagem do que crer no Deus da Bíblia. Um filme triste e vazio porque não dá resposta, não preenche na totalidade.
Recordei a meditação desta manhã: "Elevo os meus olhos para os montes; de onde me virá o socorro? O meu socorro vem do Senhor, que fez os céus e a terra." (Salmo 121: 1-2)