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terça-feira, 9 de dezembro de 2014

click!

Atravessar a ponte Vasco da Gama à noite e dar de caras com a lua cheia a desmaiar sobre o rio. Voltar de imediato ao 4º andar da minha casa em Chelas, à janela da cozinha, onde durante anos observei a lua cheia refletida no Tejo. A casa em silêncio, a rua aparentemente parada, mas tanta vida nos prédios envolventes. Tanta vida no meu pensamento!
Há imagens que nos marcam e cenários que só podem ser avistados lá de cima, como se não encaixassem mais nenhum outro lugar.

sábado, 16 de outubro de 2010

voltei.
passei pelas ruas onde corri em pequena. onde joguei à bola, apanhei borboletas, andei de bicicleta... cresci, aprendi... sonhei.
entrei. O cheiro mantém-se o mesmo.
fechei os olhos e por momentos as paredes eram de cimento outra vez e vi amigos queridos e o meu pai cobertos de pó e tinta. sorrisos francos, alegres. vi um grupo grande de meninos e meninas a cantar alegremente e a bater palmas. eu estava no meio deles.
abri os olhos. o grupo continuava grande, mas a maioria das caras já não era igual.
de qualquer modo, senti aquele sossego de quem regressa a casa.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Back home [domingo]

Depois de uma manhã no hospital com o Marquitos, almoçámos em casa dos amigos Sandra e Delvani, na minha antiga casa. Voltei ao bairro onde nasci e vivi até aos meus 18 anos. É uma sensação familiar reconfortante, que preenche até transbordar! Voltar a casa, apesar de todas as diferenças, desde os móveis às cores das paredes, etc, foi deveras delicioso (até porque nos esperava uma bela de uma feijoada à brasileira e amigos queridos). Olhar pela janela da sala, cozinha e meu quarto novamente, quarto este que agora me pareceu bem mais pequeno (acho que é sinal que cresci...) Subi as escadas do prédio até ao 4º e último andar e deparei-me com diferentes cheiros em cada piso, tal como acontecia antigamente, nas horas das refeições. Era uma mistura interessante que nos lembrava que de alguma forma estávamos juntos, fazendo a mesma coisa. Toquei à campaínha da minha vizinha debaixo, que até chorou quando me reconheceu. Tal como fazia antes, desci as escadas a saltitar e a pular os dois últimos degraus de cada lance de escadas, sem me enganar e sempre no mesmo ritmo, como se o tivesse feito ontem e senti-me leve, como se o recordar de sensações de uma época tão feliz me fizesse renascer! E quando cheguei cá fora a melhor prenda: encontar a Nessa ( a minha best de infância, que partilhava comigo quase cada minuto do dia a dia e que vivia no prédio ao lado do meu). Eu bem que tinha espreitado para verificar se o carro dela estava por lá (também foi bom ver-te, Rui.) A praceta, tive que descer da melhor maneira que existe: a correr!Ainda tive oportunidade de ir com o Jojó a pé para a igreja e de ir olhando à minha volta. Incrível como cada recanto, esquina, banco, rua, estabelecimento trazem-me uma recordação diferente, nada me é indiferente ali. Cada pedaço de espaço traz uma história, uma memória... e alguém à minha mente.
Na igreja, foi bom rever as caras tão familiares e alguns amigos (daqueles que sei que estarão sempre lá) e ouvir a Ir. Karen e o Ir. Erickson na Escola Dominical, tinha saudades de vê-los a trabalhar em equipa. Regressei a casa cheia e com um sentimento de gratidão tão grande!... Grata pela minha infancia, famíla, pelo bairro onde cresci sentindo-me segura e feliz, pelos amigos que não partem por mais anos que passem, pela igreja onde nasci e tanto aprendi, pelos irmãos queridos de ambas as igrejas (a antiga e actual) que fazem parte da minha história e acima de tudo, senti-me grata pela oportunidade de reacender lembranças. Pela possibilidade de voltar.