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quinta-feira, 16 de junho de 2016

a barragem



O primeiro sinal em como estávamos perto do acampamento era chegar à barragem. O ritual era sempre o mesmo. Respirar o ar, olhar pela janela para ver se estava cheia ou não. Admirá-la com um sorriso feliz.
No tempo em que a ída à piscina de Ponte de Sor era coisa inexistente. Íamos três vezes por semana à barragem nas semanas de acampamento. Isto, se não contarmos com algumas escapadelas noturnas que aconteciam volta e meia. Malta rebelde, aquela. Os carros eram escassos. O caminho era feito a pé, entre cantorias, guitarradas e toalha em volta do pescoço e chinelos nos pés. Numa dessas caminhadas, caí em cima das amoras, após o primo João me fazer voar para cima delas numa brincadeira. Autch! O João Pedro marchava enquanto cantava "Ó meu sargento, ó meu sargento, p`ra esquerda, p`ra a direita, p`ra trás e p`ra frente!" Seguiamos-lhe o passo com entusiasmo. A paragem na fonte, escondida entre os arbustos, era quase obrigatória. Lá, bebíamos água, fazíamos rodas, cantávamos mais. Havia carros que faziam várias viagens. Os mais fortes íam o caminho todo a pé, com grande orgulho.
Às sextas feiras a ída para a barragem era um desafio maior. Passávamos o dia na "Shell". À hora do almoço abria-se o porta bagagem da carrinha e saltava o frango assado. Ao lanche, o pão com manteiga e os cantis azuis com água. Fazíamos fila, sempre com apetite. Juntávamo-nos na grande mesa de pedra, perto da fonte ou debaixo de uma árvore junto á água. À tarde cantávamos juntos. Nadava-se até à ilha. Alguns davam um salto às comportas. As idas à fonte sucediam-se. A rampa, onde tantas vezes estendíamos a toalha, parecia maior na altura. Jogava-se vollei e construíam-se pirâmides humanas dentro de água. Comprava-se gelados no café, de vez em quando. Alguns de nós fazíamos o caminho de volta a correr até ao ABS. Um dia, fiquei esquecida com mais 4 amigos. Os chinelos eram a menos e o chão escaldava. Rimos muito, enquanto os mesmos chinelos passavam ora por uns pés, ora por outros. Apanhámos boleia e chegámos inteiros. Uma aventura!
Foi no tempo em que os carros cabiam dentro dos muros do acampamento, os portões não existiam, a piscina não era um destino, andar a pé era um prazer necessário e todas as fontes jorravam água.



 



















[fotos acima tiradas no verão de 2015 e na primavera de 2016]

As que seguem, alguns anos antes.





quinta-feira, 30 de agosto de 2012

barragem de Montargil

sempre serena e tranquila. pacata. efeito calmante.
as memórias dão voltas na mente com o avistar da ilha.
a barragem, continua a encantar.
 


 

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

abs 2011


Chegámos do nosso canto favorito há cinco dias e a vontade de regressar já se agitava dentro de cada um na viagem de volta.
Saudade de acordar e estar rodeada de caras amigas e familiares, que, tal como eu, amam aquele lugar e entendem a sua história e significado. Saudade das caras novas que se apaixonaram pelo lugar e trouxeram uma frescura tão especial. O lugar não nos pertence, apesar de sentirmos que é nosso.
O ABS é um ritmo que se sente. Uma música para a qual pauta alguma ainda foi escrita. Sente-se cá dentro. Entranha-se sem se chegar a estranhar. Foram semanas cheias de cumplicidade, sorrisos e muitas histórias. Semanas que ficam impressas no nosso coração e abraçam-nos docemente.

[Lipe, Shana: foi muito especial ter-vos lá novamente. almost like the old days. love u.]

 


Voltámos a pôr o pé [alguns mais do que isso] na água da barragem. A cabeça fervia de lembranças. Tão vivas como se as tivesse vivido ontem.
As ídas à barragem durante o acampamento eram no passado feitas a pé. De vez em quando lá vinha um carro para agarrar 4 ou 5 de nós ou, com alguma sorte, uma carrinha que levava uns quantos ao molho. Enlatados, mas contentes; podia ser muito bem o nosso lema. Pelo caminho cantávamos, conversávamos, sonhávamos, faziamos corridas, pregávamos partidas inofensivas, perdiamos chinelos, apanhávamos amoras e bebiamos água da fonte. Depois, já lá, havia as pirâmides dentro de água, a bola de vollei, o nadar até à ilha, o ir a pé a outra fonte, o espreguiçar nas toalhas estendidas na rampa, as violas a soar e as filas para o pão com manteiga, que, em época de alguma fartura, era acompanhado com pêssegos ou maçãs.